Medalhista olímpica afirma que mudança para o Boxe profissional foi “carta de alforria” perante a confederação

  • Luiz Lanzoni

Foto: Aline Bassi / Balaio

Medalhista nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, a pugilista Adriana Araújo participou da série de lives que o perfil @jovempansportsbauru está realizando todos os dias no Instagram. No bate-papo com o repórter Luiz Lanzoni, a atleta que é a atual contender ao título mundial do Conselho Mundial de Boxe, falou sobre o início da sua carreira, a conquista do bronze em Londres, e sua transição para o Boxe Profissional.

O início por estética

O boxe brasileiro, por muito pouco, não perdeu um dos seus maiores talentos para os gramados - “Eu sempre amei praticar esportes. Comecei com 8 anos a jogar bola, cheguei a atuar nas categorias de base do Vitória, e pensava em seguir carreira nos gramados. Mas com 15 , como o futebol feminino tem pouco incentivo, chegou uma hora que eu tive de escolher entre a bola ou os estudos - e acabei me afastando dos gramados. Fiquei dois anos parada, ganhei uns quilinhos, e a convite de uma amiga, iniciei a prática do boxe por questão estética - isso só mudou por conta do olhar do Rangel Almeida, meu primeiro treinador, a quem eu sou eternamente grata”, contou Adriana.

Da frustração em Guadalajara a glória em Londres

Não há dúvidas que a medalha olímpica conquistada em 2012 foi a maior glória da carreira de Adriana - mas o que poucos sabem, é que um ano antes, no Pan de Guadalajara, ela obteve um dos resultados mais frustrantes, que até hoje fica “engasgado” em sua garganta - “O Jogos Pan-americanos tem uma importância muito forte pois o fato de ter tantos esportes em conjunto acaba atraindo muita mídia. Mas pra mim, como atleta, em termos técnicos, não era diferente do que a disputa de um torneio continental, e eu já havia conquistado tal título por 8 vezes. Eu já havia vencido todas as lutadoras que participaram daquela competição, então não ter tido a conquista, justamente no Pan, me deixou extremamente chateada, mas sem dúvida me deu mais gana e motivação para a disputa Olímpica em Londres”, afirmou a atleta.

A medalha foi conquistada em Londres, mas faltou respeito da Confederação

“Eu não tinha noção do que era participar de uma Olimpíada. Em 2012 foi a primeira participação nos Jogos, e dá pra afirmar que não há nada igual. Foi uma experiência única, foi a minha maior conquista. Em termos de divulgação, nunca tive algo parecido. Mas apesar da medalha, a Confederação seguiu pouco se importando pra nós atletas. Eu não queria tratamento diferenciado - mas sim uma maior voz e respeito para os atletas, e isso não veio. Eu fui afastada por 2 anos, fiquei sem receber o bolsa atleta, que era o meu salário, fui impedida de participar de competições, e só retornei por conta de uma intervenção do Ministério do Esporte, que me queria na disputa dos Jogos no Rio de Janeiro. Apesar disso, continuei sendo perseguida por pessoas da estrutura da Confederação Brasileira de Boxe, e todo estes problemas externos, acabaram me prejudicando demais na preparação para a Rio 2016. Eu já havia derrotado a finlandesa que enfrentei no Rio, mas naquele momento, não há dúvidas de que ela estava melhor preparada”, contou Adriana.

A transição para o Boxe profissional

Na fala em que comentou a mudança do boxe olímpico para o profissional, Adriana não mediu palavras e comparou a situação a uma “carta de alforria” perante a CBBoxe - “Não é nenhum exagero afirmar que a minha mudança para o boxe profissional funcionou como uma carta de alforria perante a Confederação. Com a mudança, eu me libertei de muitas situações que atrapalharam a minha carreira. Confesso que talvez, se tivesse tido o direcionamento para o boxe profissional mais cedo, depois de 2012, eu possivelmente já teria conquistado o título mundial”. Adriana, ainda comentou sobre as principais diferenças na rotina de treinos - “A questão da intensidade, da resistência, são os pontos que mais senti na mudança. No boxe olímpico, eu lutava mais lutas, mas estas eram curtas. No profissional, eu tenho que estar preparada pra fazer 10 Rounds. Então tenho de estar mais preparada fisicamente, preciso tomar mais cuidados com as colocações de golpes”, afirmou a baiana, dona do cinturão Latino-americano e Mundial Silver do Conselho Mundial de Boxe.

O advento do Boxing For You

Outro ponto abordado por Adriana, foi o surgimento do Boxing For You, evento criado por Sergio Batarelli para a promoção do boxe profissional no Brasil - “Nós precisamos agradecer muito o Batarelli por conta do Boxing For You. Nunca vimos este nível de profissionalismo no boxe brasileiro. Em termos de visão, pensamento no esporte como um negócio, em termos de estrutura, é disparado o que de melhor aconteceu para o Boxe no Brasil. Não dá pra negar o peso do “business” no Boxe profissional, e neste sentido, nunca teve nada igual no Brasil como esta iniciativa. Me faz sonhar num evento em que poderíamos ter eu e o Esquiva disputando cinturões mundiais aqui no Brasil. Já imaginou o quanto isto seria grandioso para o boxe brasileiro?”, completa Adriana.