Com recorde de óbitos em um dia, SP ultrapassa 5 mil mortes por Covid-19

  • Lucca Willians

Passa de 65,9 mil o número de casos de COVID-19 no estado; taxa de ocupação dos leitos de UTI na Grande São Paulo é de 88%

Nesta terça-feira (19), o estado de São Paulo chegou a 5.147 mortes pelo novo coronavírus, com 324 mortes confirmadas nas últimas 24 horas. É o maior aumento já registrado de um dia para outro. A relação de casos e óbitos confirmados por cidade pode ser consultada em www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus.

O estado também totaliza 65.995 casos confirmados da COVID-19, com um ou mais pessoas infectadas em 479 cidades. Foi registrada pelo menos uma vítima fatal em 219 municípios.

Há 9,5 mil pacientes internados em São Paulo, sendo 3.659 em UTI e 5.902 em enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a COVID-19 é de 71,4% no Estado de São Paulo e 88% na Grande São Paulo.

Em coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes, integrantes da Secretaria da Saúde, do Centro de Contingência e especialistas reforçaram a importância de os cidadãos ficarem em casa para conter a proliferação do vírus e, assim, não sobrecarregar os serviços de saúde.

"A meta é subir o percentual de isolamento ao mínimo que se já obteve aqui no Estado de São Paulo. O Estado de São Paulo já chegou a 56%, 57%. Esperamos que esses números sejam atingidos e que nós possamos subir além dos 60%. Esse é o percentual que daria conforto para o que vai acontecer nas próximas semanas", disse o coordenador do Centro de Contingência, Dimas Covas.

"A ideia é que essa doença fique para fora das nossas casas, e que a gente também proteja o próximo, além de proteger a nós, nossas famílias, nós temos que proteger o próximo. Isso é muito importante", reforçou o médico Geraldo Reple, professor na Fundação ABC.

Perfil da mortalidade

Entre as vítimas fatais estão 3.040 homens e 2.107 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 73% das mortes. Observando faixas etárias subdividas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (1.251 do total), seguida por 60-69 anos (1.187) e 80-89 (985).

Também faleceram 336 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (733 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (373), 30 a 39 (216), 20 a 29 (44) e 10 a 19 (14), e oito com menos de dez anos.

Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (58,6% dos óbitos), diabetes mellitus (43,6%), doença neurológica (11,4%), doença renal (10,8%) e pneumopatia (9,8%). Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças hematológica e hepática. Esses fatores de risco foram identificados em 4.162 pessoas que faleceram por COVID-19 (80,9%).