Secretário anuncia que ginásio no Geisel servirá de abrigo para moradores de rua

  • Lucca Willians

Em reunião da Comissão de Assistência Social, parlamentares discutiram com equipes da Sebes estratégias para convencer público-alvo a aceitar o acolhimento, pois sobram vagas em serviços já existentes, a despeito do aumento de pessoas vivendo em vias públicas; no novo projeto, será aceita a entrada com cães

Em reunião chamada pela Comissão de Assistência Social da Câmara de Bauru, o secretário José Carlos Fernandes, do Bem-Estar Social, anunciou, nesta quarta-feira (10), que está pronto o projeto para acolher até 30 moradores de rua no ginásio esportivo Darcy César Improta, que fica na região do Geisel.

A medida vinha sendo cobrada por vereadores, tendo em vista a pandemia da COVID-19, a queda nas temperaturas e o notório aumento de pessoas vivendo em vias públicas, inclusive em espaços como o Parque Vitória Régia e o coreto da Praça Rui Barbosa.

Ogestor e sua equipe ponderaram, contudo, que estão sobrando 51 vagas em serviços de acolhimento já disponíveis. Do total de 135 postos, dos quais 35 foram abertos após os casos de contaminação pelo novo coronavírus, 84 são ocupadas.

A situação, segundo o secretário, decorre da dificuldade em convencer as pessoas em situação de rua a buscarem atendimento nas instituições parceiras do município.

As intervenções de abordagem social serão reforçadas, na expectativa de que o formato do novo serviço amplie o número de pessoas que aceitam o acolhimento.

Um dos diferenciais é que os moradores de rua poderão levar para o ginásio os cães que frequentemente lhe acompanham e não têm como serem abrigados pelos serviços já existentes.

Por 100 dias

Areunião foi conduzida pelo presidente da comissão, Serginho Brum (PDT), e contou com a participação dos membros, Chiara Ranieri (DEM) e Fábio Manfrinato (PP); do vereador Sandro Bussola (PSD); e do presidente da Câmara, José Roberto Segalla (DEM), que vinha insistentemente cobrando medidas para o acolhimento da população de rua.

A expectativa da Sebes é de que o serviço funcione por 100 dias, período um pouco maior do que equivalente ao inverno no hemisfério Sul.

A entidade Casa do Garoto vai gerenciar o local, que contará com equipes de profissionais de saúde e de assistência.

De acordo com o Carlão, em menos de um dia, toda a estrutura de boxes e camas poderá ser montada no ginásio. A pendência para a concretização está no envio, pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta, de Projeto de Lei que pedirá autorização à Câmara para a celebração do convênio entre a administração e a instituição.

O encaminhamento de acolhidos será feito pelo Centro POP e por equipes de abordagem social.

Os assistidos serão transportados até o ginásio, onde poderão passar as noites e os dias. Todas as refeições serão servidas no local.

O custo do convênio, incluindo pessoal, montagem, logística, alimentação e transporte, será de R$ 120 mil pelo período de 100 dias.

Complexidade

Vereadores, secretário e diretoras da área de proteção social discutiram ainda a complexidade do conjunto de fatores que levam pessoas a morar na rua, gerando demandas nas áreas social, de saúde e de segurança.

José Carlos Fernandes pontuou que o uso de drogas é a principal razão que dificulta o acolhimento dessa população. Ele relatou que o acesso ao auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal, no valor de R$ 600,00, impulsionou dependentes químicos a deixarem casas de familiares ou abrigos pela facilidade de compra de substâncias.

Segundo as diretoras Rosa Maria Orlato e Simone Souza, nesses casos, o aceite costuma se dar apenas quando a pessoa em situação de rua está muito debilitada por problemas de saúde.

Ainda de acordo com a equipe presente na reunião, a saída de reeducandos do sistema penitenciário, em razão da pandemia de COVID-19, também inflou o número de pessoas vivendo nas ruas de Bauru, especialmente aquelas cujos parentes são de outras cidades.

Sugestões

Parlamentares chamaram atenção para a necessidade de ações preventivas, com o intuito de evitar a formação de aglomerações comunitárias nas ruas; e de iniciativas conjuntas da assistência com serviços de saúde, como o “Consultório na Rua” e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Em relação aos reeducandos, frisaram que são pessoas sob a tutela do Estado e que tratativas mais contundentes devem ser tomadas junto à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

Os vereadores também reiteraram críticas à dificuldade do governo municipal em comunicar ações já em andamento, inclusive no aspecto institucional, por meio do Poder Legislativo.