Vereadores fazem apelo por abertura de leitos municipais para ampliar retaguarda à COVID-19

  • Lucca Willians

Após reunião realizada em ambiente virtual com o prefeito Clodoaldo Gazzetta na tarde desta segunda-feira (20), o Poder Legislativo de Bauru torna público APELO para que a administração tome as providências necessárias para abrir leitos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) por meio de Hospital de Campanha Municipal.

A proposta dos parlamentares é que a estrutura esteja concebida para atender pacientes da cidade que venham a manifestar a forma grave da COVID-19.

Aos representantes da população, o chefe do Poder Executivo alegou que, para o momento, a retaguarda hospitalar é suficientemente dimensionada.

Os argumentos apresentados, entretanto, soam frágeis aos vereadores, especialmente por estarem calcados na necessidade de manutenção do isolamento social – que, embora importante, não pode ser perpetuado, considerando suas consequências já observadas no cenário socioeconômico, como o aumento do desemprego, das dificuldades enfrentadas por empresas, da miséria, e o acirramento de conflitos, sob a iminência de atos de desobediência civil.

Cientes de que o município não pode legislar contrariamente à classificação dos serviços essenciais determinado pelo Governo Federal e à quarentena imposta pelo Governo de São Paulo, os parlamentares reiteram a necessidade de que a administração local faça a sua parte e esteja de fato preparada para atender os pacientes em estado grave, já que é esperado notório aumento no número casos ao passo em que a normalidade das atividades for retomada.

Na reunião, o prefeito detalhou o que já está pactuado e outras estratégias que podem resultar na abertura de novas 73 vagas de UTI nas redes pública e privada, com o intuito de que esta, se necessário, também receba pacientes do SUS, por meio de acordos de cooperação, ainda sem termos definidos.

Bauru, contudo, é referência em assistência hospitalar para 38 municípios da região. A ampliação prevista, portanto, propicia margem de menos de dois pacientes simultâneos por cidade.

Sem informações sobre prazos e dimensão, o prefeito falou ainda sobre a perspectiva de abertura de um hospital de campanha pela União, no terreno do Hospital Manoel de Abreu. Ainda que o projeto prospere, há o risco de que a estrutura seja referência para abrangência territorial ainda maior, considerando o colapso por falta de leitos na capital de São Paulo e em diversos outros estados brasileiros.

Tão preocupante quanto a administração local não possuir um hospital de campanha, está no fato de não dispor de projeto com, local, modelo e custo definidos.

Sem o planejamento previamente definido, considerando a burocracia inerente ao serviço público, pode não haver tempo hábil para agir caso a realidade imponha tal necessidade.

Também na reunião, foi reiterada a solicitação de que a comunicação pública e institucional por parte do governo se dê com mais clareza e transparência, a fim de garantir que todos estejam cientes sobre as ações já executadas e as planejadas.

Por meio de suas comissões e de reunião pública em ambiente virtual, terão continuidade, nos próximos dias, as discussões acerca do tema pelo Poder Legislativo, que reitera sua disposição em oferecer as ferramentas necessárias para a administração, condicionando-as à apresentação pelo governo municipal de planos de ação contundentes.