Seis gols e cinco assistências em 11 jogos: Conheça melhor Fabrício, o atacante do Noroeste que se inspira em Marco Reus

  • Lucas Rocha

O Noroeste tem a melhor campanha entre as três pincipais divisões do futebol paulista em 2020, o alvirrubro somou até aqui 26 pontos em 33 possíveis, um aproveitamento excelente de 78.7% de tudo que foi disputado até aqui.

Naturalmente, alguns jogadores vem ganhando a admiração do torcedor, um deles é Fabrício Daniel de Souza, ou simplesmente Fabrício. O atacante de 22 anos lidera a artilharia da Série A3 com 6 gols ao lado de Gabriel Barcos do Rio Preto e também é o jogador com mais assistências na competição, atingindo 5 após o passe decisivo para seu companheiro de ataque Pedro no último jogo contra o Olímpia.

Ampliando a análise em cima dos números, Fabrício atuou por 918 minutos até aqui e tem participação direta em 11 dos 19 gols marcados pelo Noroeste no campeonato, isto representa uma participação direta em gol a cada 83 minutos em campo.

Fabrício também superou as marcas de Léo Gonçalves (3 gols em 2019), Jorge Mauá e Leandro Oliveira (5 gols em 2018) e Gabriel Barcos (4 gols em 2017), os últimos artilheiros noroestinos na Série A3, lembrando que ainda restavam antes da paralização quatro partidas na primeira fase e toda a fase de mata-mata no estadual deste ano.

Cumprindo a cartilha de exercícios passada por Dejair Ferreira, preparador físico do Noroeste, Fabrício concedeu entrevista exclusiva para a Jovem Pan News Bauru. Confira abaixo:

JPNB: Como surgiu este sonho em ser jogador de futebol e quem foram seus grandes incentivadores no início?

Fabrício: Desde pequeno todo brasileiro conhece o futebol, se apaixona, assiste aos jogos, vê os torcedores comemorarem gols, aquela energia contagiante que permite as crianças sonharem, almejarem estar vivendo essas sensações maravilhosas, que só o futebol proporciona. Eu não sou diferente, desde pequeno joguei futebol, assistia, e dizia aos meus pais: "Eu quero viver isso e talvez muito mais do que está passando na televisão." e assim ia surgindo a vontade de ser jogador. Meus pais sempre diziam que iriam me apoiar em todas as situações, seja no futebol, ou em outra profissão, mas acima de tudo queriam que eu fosse feliz independente da minha escolha para o futuro Os meus professores na infância me incentivavam muito também, diziam que se eu fosse um atleta comprometido tudo iria dar certo! Agradeço muito ao Silmar Assis, um cara que me ensinou grande parte do que sei hoje. Quando eu era criança não tinha turma de treino da minha idade (nascido em 1997), então ele me colocava para jogar com os mais velhos, garotos nascidos em 1993, 1994 e 1995. Apesar da dificuldade, eu me saia bem ainda. O Silmar até me chamava de formiguinha, porque eu parecia uma formiga perto dos outros garotos. Assim foi aumentando minha vontade e meus sonhos no mundo do futebol.

JPNB: Quanto a sua trajetória, como tudo começou? Quais foram seus passos até retornar ao Noroeste neste ano?

Fabrício: Iniciei na equipe sub-15 do Palmeirinha de Porto Ferreira, jogamos o estadual da categoria em 2012, lá foi um lugar onde tive grandes amizades, muitas inclusive eu conservo até hoje. Um crescimento pessoal e profissional incrível.
Depois disso disputei o Paulista sub-17 um ano acima da minha idade em 2013 no Palmeirinha de São Carlos, lá nós tínhamos um grupo com garotos apenas de São Carlos mesmo e de algumas cidades próximas, conseguimos chegar até as oitavas de final, feito inédito para a base do clube. Com isso a Ferroviaria me viu jogando e acabaran fazendo o convite para que eu integrasse o elenco Sub-17 do ano seguinte. Para mim isso foi incrível, cara. Eu sempre quis atuar pelo time da minha cidade natal (Araraquara), porém como nunca havia aparecido a oportunidade de estar na Ferroviaria, eu buscava clubes de fora, para ganhar meu espaço no futebol. Então surgiu a oportunidade com um agravante, eles também me profissionalizam. Definitivamente era um sonho de menino sendo realizado. Disputei o Paulista Sub-17 em 2014 e logo em seguida fui emprestado ao Noroeste para ajudar na missão de subir o time para a Série A3! Objetivo alcançado. Retornei a Ferroviaria em 2016 e disputei o Campeonato Paulista Sub-20, fiz uma grande primeira fase e acabei sendo promovido ao elenco profissional, onde joguei com Diego Souza e Yamada sendo muito feliz, atuando, fazendo gols, ajudando o grupo a ser vice-campeão da Copa Paulista (derrotado na grande final pelo XV de Piracicaba nos pênaltis). No fim de 2016 eu fui vendido para o Santos. Uma passagem maravilhosa na minha vida, meus familiares são todos santistas e eu também sempre gostei do time. Por lá eu muito feliz, mas apesar de ter evoluído muito, tive poucas oportunidades de mostrar o meu trabalho. Ao fim do meu contrato em dezembro de 2018 busquei novos ares e surgiu o Cianorte. Por lá disputei o Paranaense e a Série D. Infelizmente por lá a concorrência também era muito grande e acabei não tendo sequência. Então o Noroeste acreditou no meu trabalho novamente, me fizeram o convite e não pensei duas vezes, vestir esse manto vermelho, é uma sensação inenarrável. Desta vez estou conseguindo ter sequência e confiança de todos para ajudar a conquistar os objetivos do clube. Estou feliz demais e alegre diante dos torcedores da maquininha vermelha. Só tenho agradecimentos. Primeiro a Deus e depois a todos companheiros do time, pessoas que ajudam a colocar nos trilhos tudo isso, todos que participam diretamente e indiretamente neste sucesso.

Ainda sobre esta sua passagem em 2015, você era muito novo e acabou não jogando tanto. O que mudou no Fabrício de 2015 para o atual e com relação ao clube, dá para notar alguma mudança daquele período também?

Mudanças existem em todas pessoas, com o passar do tempo vivemos situações que nos fazem evoluir, e comigo foi assim, constantemente vivendo momentos de aprendizado. Em 2015 eu adquiri mais experiência, personalidade e caráter. Na verdade eu tinha apenas 18 anos, havia acabado de sair da base, então, era normal que eu tivesse menos oportunidades, porém, nem sempre é por falta de qualidade no trabalho, mas por experiência mesmo. Situações positivas e negativas vão nos moldando e ajudam a evoluir. No clube, eu noto uma grande evolução também. Não posso deixar de parabenizar todos que estão envolvidos nisso pela organização, cuidado com o patrimônio e também na estrutura para trabalharmos com tranquilidade. Noroeste é um grande clube, que precisa estar no topo dos campeonatos, uma torcida tão apaixonada merece que o time volte ao cenário de brilho no Brasil! Eu acredito que mantendo esta gestão pautada na honestidade e amor as cores do clube, é questão de tempo para atingir a elite do futebol novamente.

JPNB: Como foram as conversas para o retorno? O que colocou na balança para tomar esta decisão de voltar?

Fabrício: Como eu estava livre e buscando espaço novamente no mercado, o pessoal da diretoria me procurou. Alinhamos algumas coisas e fechamos bem rápido! Como eu já conhecia o clube, estádio, torcida e a própria cidade, isso contou muito. Nós sabemos que o Noroeste é um grande clube, então não pensei duas vezes.

JPNB: Você e o artilheiro e jogador com maior número de assistências na Série A3 até aqui. Claro que atacantes vivem de gols, mas atualmente o futebol tem cobrado sempre aquele algo a mais dos jogadores de frente e você vem apresentando...

Fabrício: Graças a Deus a efetividade do trabalho vem sendo boa, acredito que o grupo todo é responsável por esses números. Individualmente, são dados que me deixam muito feliz por estar ajudando meus companheiros dentro de campo, em várias situações. Nós temos muitas funções, não apenas fazer gols, precisamos criar jogadas e também ajudar na marcação do setor, Professor Luiz Carlos Martins nos cobra muito esta pressão na saída na saída de bola do adversário. Eu particularmente acredito que destaque não fica apenas para um jogador, eu tenho feito os gols e dado assistências, mas o grupo inteiro tem se entregado e todos estão tendo muito destaque dentro de suas funções. Cara, nós somos como uma engrenagem onde todos tem que funcionar, o campeonato é muito equilibrado, se não funcionar desse jeito, a coisa não flui.

JPNB: Fabrício, no linguajar do futebol podemos dizer que este time "deu liga" muito rápido. O que tem sido fundamental na sua opinião para este encaixe tão rápido?

Fabrício: Acredito que nosso diferencial é encarar cada jogo como uma decisão. Nos estamos sempre muito focados, bem preparados fisicamente e mentalmente para aquele duelo específico, sem pensar em classificação, no próximo jogo, sem pensar em nada além da vitória. Claro, que vem alguns fatores como vontade, garra, esforço, determinação dentro de campo, mas acredito que o foco na partida em si é o nosso diferencial.

JPNB: O coronavírus chegou e paralizou o campeonato. Por enquanto é difícil saber o que acontecerá na sequência, mas este tempo que vocês estão tendo em casa não deixa de ser importante não só para manter a rótula de treinos caseiros, mas também possibilitando todos os jogadores estarem próximos de suas famílias neste momento. Estou certo?

Fabrício: Rapaz, essa pandemia se alastrou muito rápido, acredito que o melhor a ser feito foi exatamente isso, paralização e conscientização! Eu tenho treinado todos os dias para não perder tanto a minha forma, mesmo com as academias fechadas respeitando as medidas de precaução para contato com outras pessoas. Isso atrapalha um pouco, porque temos que ficar dentro de casa, então não temos um material de trabalho como em um clube ou academia. Porém, essa é a hora da criatividade, temos que nos virar para ter uma forma boa! E enquanto treino, fico perto da minha família, aproveitando o tempo com eles em casa, sem dúvidas isso é muito bom.

JPNB: Para fechar esta nossa conversa, tem alguém que você busca se inspirar atualmente para ser um jogador melhor a cada dia?

Fabrício: Eu procuro sempre estar evoluindo o meu repertório dentro do meu esforço diário mesmo, mas todos nós temos pessoas que nos motivam, ou nos ajudam de alguma forma a ser os melhores. Eu gosto muito de ver o Marco Reus (atacante alemão do Borussia Dortmund) jogando, tem o Neymar também, mas para mim o Reus é um atleta completo, tanto em capacidade técnica, mas taticamente também, então posso dizer que ele é minha inspiração hoje.