CEI da Cohab ouve Rodrigo Agostinho e Clodoaldo Gazzetta

A Comissão Especial de Inquérito instalada, pela Câmara Municipal de Bauru para apurar a dívida com seguro habitacional e com o FGTS da Cohab perante a Caixa Federal, realizou mais uma fase de depoimentos na manhã desta sexta-feira.

A CEI já convidou ex-prefeitos e ex-presidentes da Cohab Bauru do período de 1998 a 2019, durante a fase inicial em que foram identificadas ausências de pagamentos com seguros.

Nesta rodada, o ex-prefeito Tuga Angerami enviou ofício informando que não compareceria pois enfrenta problemas de saúde. Também enviou justificativa de não comparecimento o então diretor administrativo-financeiro da Cohab, Paulo Gobbi. Ele alegou que exercerá o direito ao silêncio e, assim, não se submeteria à exposição.

O ex-presidente da companhia, Édison Gasparini Júnior também enviou ofício e não prestou depoimento à CEI. Ele disse que vai prestar informações somente ao Gaeco Bauru e exerceu o direito apontando a condição de investigado.

O ex-gerente jurídico da Cohab, Milton Gimael, informou que vai falar primeiro no Ministério Público e também não atendeu à Comissão. Mário Kaimoti não compareceu e não informou justificativa.

Depoimentos

Rodrigo Agostinho, que foi vereador por dois mandatos e prefeito por outros dois, compareceu e disse que tem todo interesse na resolução dos problemas que reputa graves.

Deputado federal, Agostinho disse que o Tribunal de Contas do Estado já vinha apontando rejeição de contas da Cohab, mas muito mais pela dívida crescente e nunca por desfalques.

Ele informou que a grande meta era manter a inadimplência baixa e pagar a dívida e contou que nenhuma auditoria externa apontou algum problema em relação ao caixa da companhia.

Para Rodrigo, a cidade não pode perder a oportunidade do Refis neste momento oferecido pela Caixa. Ele contou que esteve na superintendência da Caixa em Brasília para discutir, no mês passado, as contas.

Então prefeito, Rodrigo disse que Gasparini atuou pela redução da inadimplência. "Houve uma decisão minha de manter o Gasparini, assim como do atual prefeito. Gasparini inclusive atuou na campanha do meu adversário na época e fui criticado por mantê-lo no cargo por isso", respondeu ao ser perguntado sobre se alguém pediu pela manutenção no cargo.

Conforme Agostinho, o procurador Jurídico Maurício Porto era o representante da Prefeitura no Conselho de Administração da Cohab.

Sobre a apuração de crescimento do patrimônio de Gasparini, indicado nas declarações de Imposto de Renda, Rodrigo disse que o governo não acompanha evolução de renda de ninguém. Disse que conheceu Gasparini morando em um apartamento no Residencial Flamboyant, na época.

"Acho que a administração pública tem de ter mecanismos de acompanhamento de evolução patrimonial sim para se apurar eventuais aumentos de patrimônio", defendeu.

O ex-prefeito considera que a Caixa é responsável em dívidas contra construtoras. Ele foi advertido por vereadores de que a Cohab teve prejuízos milionários e crescentes também em sua gestão.

"A CDHU está virando um aplicativo de celular e a Cohab também não faz sentido ela querer voltar a construir. Faz sentido continuar existindo até resolver suas dívidas", afirmou.

Segundo Rodrigo, o acordo entre Cohab e Caixa não foi firmado em sua gestão, em oito anos, porque "as condições não eram viáveis à época".

Prefeito

O prefeito Clodoaldo Gazzetta também atendeu à convocação. Ele disse que tinha conhecimento da busca de acordos com construtoras pela Cohab-Bauru, mas não sabia dos conteúdos.

Gazzetta disse que não há sistema de acompanhamento de evolução de bens na gestão pública.

O prefeito comentou que todos sabiam que a situação da Cohab era delicada, informando que está buscando com a Caixa a revisão de valores das dívidas. "Vamos apresentar valores melhores do que a situação atual. Está em curso o processo de liquidação da companhia", disse.

Gazzetta disse que nunca tomou conhecimento de viagens internacionais de Gasparini em seu período, a partir de janeiro de 2017.

Segundo o prefeito, o acordo de renegociação será assinado, mas somente depois de passar pelo crivo do jurídico e análise financeira das contas a serem pagas.

"Minha relação com Gasparini na década de 90, quando ele era líder da gestão Tidei de Lima e eu era secretário do Meio Ambiente. Depois voltamos a ter relação somente na eleição, quando ele no primeiro turno apoiou outro candidato e, no segundo turno, passou a apoiar minha candidatura", falou.

Por fim, a Comissão de Inquérito ouviu o contador Jair Vella, que foi diretor administrativo e financeiro da Cohab de janeiro a junho de 2005.

Vella disse que é preciso realizar perícia e não auditoria nas contas. Ele explicou que a perícia é o meio adequado para se confrontar lançamentos frios, como as amortizações não realizadas de seguro habitacional e que totalizam o rombo de R$ 54 milhões. Para Jair Vella, a operação – assumida pelo contador da Cohab Marcelo Alba, significa lançamento de documento inábil.

A CEI da Cohab prossegue com a fase de depoimentos. A próxima reunião está agendada para o próximo dia 10 de março, a partir das 09:30h, no plenário da Câmara Municipal.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Bauru.