Prefeitura de Bauru realiza série de reportagens em comemoração aos 40 anos do Zoológico

  • Lucca Willians

Fotos: Leandro Gonçalves.

O Parque Zoológico Municipal de Bauru completa 40 em 2020. Ponto turístico da cidade e opção de lazer para os bauruenses, o parque é hoje um verdadeiro cartão postal. Para comemorar as quatro décadas do Zoológico, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Bauru preparou uma série de reportagens para mostrar de perto as atrações e curiosidades do espaço. Confira o primeiro capítulo a seguir.

O Parque Zoológico Municipal de Bauru é ponto de encontro de famílias e amigos, sejam daqui ou das mais diferentes cidades da região. Tomado pelo verde das matas nativas, o local faz a alegria da criançada e fica marcado na memória de quem já visitou ao menos uma vez.

Inaugurado em 24 de agosto de 1980, o Zoo, como é carinhosamente chamado, completa quatro décadas de história neste ano. São quarenta anos de trabalho e dedicação que ajudam a preservar a natureza e, de quebra, a criar memórias para pais, filhos e netos.

Para celebrar o aniversário de um dos pontos turísticos mais queridos da cidade, a Prefeitura de Bauru preparou uma série de reportagens para que você, aí do outro lado, possa conhecer o Zoo um pouco mais a fundo.

Com uma área de 20 alqueires, o Zoo mantém por volta de 880 animais, de 227 espécies diferentes. Repleto de fauna e flora brasileiras apresenta, além de animais nativos, bichos dos quatro cantos do mundo, e recebem, em média, 210 mil visitantes por ano.

Neste primeiro capítulo, falaremos sobre a preservação de espécies por meio da reprodução assistida. Assim, perpetuam-se espécies como o guariba de mãos ruivas, macaca pata, grou coroado, veado catingueiro, dentre outros filhotes que hoje pintam o set no Zoo de Bauru.

Há muito além daquilo que se vê

Quem visita o zoológico pode até ter em mente os versos lúdicos do compositor Caetano Veloso: “Gosto muito de te ver, leãozinho; Caminhando sob o sol”. Afinal, é para onde se vai quando se quer ver as mais fascinantes criaturas, vindas do cerrado brasileiro ou da savana africana. Mas, tal ideia, enraizada no imaginário popular, está pra lá de equivocada. Na verdade, o buraco é bem mais embaixo - abaixo até mesmo das profundas tocas de tatu.

A zootecnista Cláudia Ladeira explica que a exposição dos animais é apenas a ponta do iceberg. “Pesquisa, conservação e educação ambiental são os pilares do Zoo, que também oferece lazer contemplativo, mas voltado à informação e ao aprendizado”, explica. “Existe um estigma pautado na antiga ideia de que os zoos servem apenas para visitação, tirar foto… mas isso é o que menos importa. O foco é a saúde e bem-estar animal”, reitera.

Mais do que uma vitrine para curiosos, os zoológicos são uma importante ferramenta para a preservação de espécies e, consequentemente, para a manutenção do meio-ambiente. Para além dos corredores que dão visão aos recintos, onde ficam os animais, há um trabalho complexo, repleto de cuidados, voltado ao bem estar deles, que não foram retirados da natureza, mas que, infelizmente, não sobreviveriam em seu habitat natural, modificado pelo homem.

Não é só um “match!”

Por meio de planos de preservação, comumente pensados para cada espécie, o Zoológico de Bauru desenvolve um trabalho integrado de conservação. Alinhado às diretrizes da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, o Zoo trabalha para o perpetuamento de espécies nativas da mata atlântica e do cerrado, fronteira conhecida como “cerradão”, e contribui para a manutenção de backups genéticos de espécies locais e exóticas.

Tal trabalho ancora-se no pareamento de indivíduos de uma mesma espécie para reprodução assistida. Para isso, zoos filiados de todo o país registram cada animal em bancos de dados integrados que permitem a troca de indivíduos excedentes. “Disponibilizamos uma lista de animais que queremos parear e procuramos indivíduos compatíveis disponíveis em outros cantos do país”, resume Cláudia.

Todavia, o processo é mais complexo do que um simples match (palavra em inglês popularizada pelos aplicativos de paquera que significa “combinação”). O pareamento deve ser justificado e atender normativas que se iniciam logo na solicitação, que pode ser feita entre zoos ou por intermédio de um studbook keeper - um representante nacional responsável por determinada espécie. Assim, assegura-se o nascimento de indivíduos saudáveis e a variabilidade genética, pensada de acordo com cada contexto.

Conhecendo-se pouco a pouco

Para entender um pouco melhor como funciona o processo de pareamento, Cláudia dá um exemplo: “se tivermos um casal de filhotes de tamanduá extra, dizemos que temos um excedente. Daí, outro zoo pode dizer ‘queremos um macho, pois temos uma fêmea sozinha’. Com isso, inicia-se um diálogo que pode resultar na transferência do animal excedente após este passar todo o tempo de aprendizado parietal com a mãe”.

Contudo, a reprodução não é indiscriminada e ocorre somente com animais ameaçados de extinção ou com possibilidade de destinação. A cautela estende-se no decorrer de todo o processo, do transporte do animal à chegada deste e introdução ao recinto. “Ao chegar, o animal fica em quarentena e passa por exames. Depois, é cuidadosamente introduzido no recinto”, resume a zootecnista.

Geralmente, o animal recém-chegado é colocado na parte interna do recinto ou em uma gaiola, para que não haja contato direto logo de cara. O cuidado é para que não haja estranhamento, visto que os animais precisam de um tempo para se ambientar. Pouco a pouco, os pombinhos vão se conhecendo, até rolar uma química. Do primeiro contato ao nascimento do filhote, tudo é cuidadosamente observado.

Tinder? Não, PMx!

Cláudia conta que o pareamento será simplificado com a adoção de uma ferramenta que paulatinamente passa a ser implantada no país. Ela, inclusive, já tem viagem marcada para conhecer o PMx, um programa genético internacional que chegará em breve ao Zoo de Bauru. “A ferramenta sugere combinações de pareamento de acordo com dados genéticos correspondentes aos resultados esperados”, explica.

A capacitação reunirá Cláudia, responsável pelo sauim de coleira da amazônia, e outros 24 studbook keepers, responsáveis por espécies como o mico-leão dourado e o lobo-guará. “Isso mostra que a reprodução não é feita a olho”, esclarece a zootecnista. “A gente tem ferramentas que permitem o pareamento mais geneticamente adequado, para dar manutenção ao status genéticos dos animais”, reforça.

Resgatar também é preservar

O Zoo de Bauru também preserva espécies por meio do resgate de animais em situação de risco. Para isso, segue as diretrizes do Plano de Ação Nacional (PAN), que contempla algumas espécies e orienta quais medidas devem ser tomadas nos mais variados cenários. Assim, salvam-se animais vítimas de queimadas, alagamentos, caças ilegais ou dos mais diversos perigos.

Além disso, parcerias com o Corpo de Bombeiros, Polícias Ambiental e Rodoviárias e Concessionárias permitem o resgate de animais silvestres vítimas de atropelamentos e outros acidentes ou que tenham aparecido em área urbana, como a onça parda encontrada no Parque Vitória Régia em 2014.

Após resgatados, os animais recebem cuidados e ficam em observação até que a equipe do Zoo determine a soltura ou a destinação mais adequada para cada bichinho.

Outro caso, mais recente, ocorreu na última sexta-feira (28), quando uma onça vítima de atropelamento foi resgatada pela equipe do Zoo após chamado da Polícia Rodoviária. Com lesões graves na coluna e na cabeça, a fêmea foi encaminhada à Unesp de Botucatu após receber os primeiros cuidados, onde passou por exames e está recebendo o devido tratamento.

Na semana que vem, você poderá conhecer um pouco mais sobre o trabalho de resgate e soltura realizado pelo Zoológico de Bauru. Fique ligado!

Com Informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Bauru.