Sedecon discute ações de revitalização dos Distritos Industriais

  • Lucca Willians

A secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda de Bauru realizou nesta quinta-feira (18), a primeira reunião do NAEDI, Núcleo de Ações Estratégicas dos Distritos Industriais, dedicado a discutir ações emergenciais para os Distritos Industriais de Bauru.

A reunião de planejamento, contou com a presença dos secretários da SEDECON, Charles D’Angelus, de Obras, Marcos Saraiva e da SEAR, Jorge de Souza, do presidente da EMDURB, Luiz Carlos Valle, da presidente do DAE, Flávia Souza, do vereador Guilherme Berriel, presidente da Comissão da Indústria e Serviços da Câmara Municipal e de empresários representantes dos quatro Distritos Industriais de Bauru.

O objetivo da reunião foi a apresentação de levantamento e inventário realizados pela SEDECON, de rua por rua de cada Distrito, bem como o acolhimento das demandas pontuais de cada empresa, para que em conjunto, o Poder Público e o Setor Privado, possam realizar um plano de ação emergencial a médio e longo prazo.

“Não existe desenvolvimento industrial sem infraestrutura e logística adequadas para receber investimentos, sendo assim, é nosso dever como Secretaria de Desenvolvimento, derrubar os muros e construir pontes para garantir e estabelecer um amplo diálogo entre o setor público e as empresas que estão instaladas nos Distritos, criando um plano de ação em conjunto e desenvolvendo um panorama de articulações que serão balizadores para as secretarias e as autarquias municipais, na relação com o empresariado” ressalta o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Charlles D´Angelus.

Para o Secretário, Bauru possui um grande desafio, não somente na infraestrutura dos Distritos, mas também em sua questão estratégica. “Nossos Distritos não foram estrategicamente organizados. A qualidade de um Distrito Industrial não está somente em possuir muitas empresas, mas sim em apresentar-se como uma comunidade de produtores que se integram flexivelmente, adaptando-se às demandas do mercado e da cadeia de suprimento dos próprios distritos”, frisa o Secretário.

O secretário cita dois exemplos de Distritos Industriais bem-sucedidos: na cidade do Marco, no estado do Ceará, onde existe um grande polo moveleiro. Os três Distritos Industriais que existem na cidade, empregam quase 25 mil pessoas e possuem quase 200 empresas, das quais 150 são do setor moveleiro. Empresas de couro, de madeira, de aço, de vidro, de fabricação de estofado, fabricação de cadeiras injetadas, etc. E o polo industrial de Biella, região da Piemonte na Itália, onde existe mais de 5 mil indústrias, para uma cidade de 200 mil habitantes. Dessas 5 mil indústrias, mais de 3 mil são do setor têxtil e empregam 50 mil pessoas. Empresas que são flexíveis, uma convergindo com a outra. Esse polígono industrial é o cenário mais saudável que um Distrito Industrial pode ser vocacionado.

“Quando olhamos para esses dois exemplos, é possível observar a proximidade das empresas e, por conseguinte, a criação de um ambiente que favorece uma sinergia produtiva, o que reflete nos Distritos. Assim as próprias empresas disputam para entrar em uma comunidade industrial desse porte. Já no caso de Bauru, a grande maioria das empresas que estão em nossos Distritos, consiste em uma mera proximidade física das unidades produtivas que possuem os mesmos incentivos fiscais e vantagens que o município oferece. Claro que existem grandes empresas e indústrias em Bauru, tanto dentro dos Distritos, quanto empresas fora dos Distritos. E mesmo as empresas de médio e pequeno porte que se encontram dentro dos Distritos são importantes para compor o nosso processo de industrialização e desenvolvimento econômico”, ressalta o Secretário.

Bauru tem dois Distritos quase 100% consolidados, o Distrito Industrial I e o II. Esses dois Distritos não possuem mais quase áreas. O Distrito III possui uma área de 8 mil metros que está em estudo. O Distrito VI é o Distrito que possui hoje a maior área para concessão. “Devemos ter uns 40 mil metros quadros de áreas da Prefeitura disponíveis para realizarmos editais de Chamamento Público, no entanto, muitas dessas áreas não possuem uma mínima infraestrutura”, informa o Secretário.

Diante desse cenário, o Secretário desenvolveu um plano de ação para revitalizar os Distritos focados em alguns eixos temáticos principais:

1° Eixo: Infraestrutura e Logística - Temos que ter um mínimo de infraestrutura dentro dos nossos distritos. Sem essa infraestrutura, a atração de empresa é bem mais complicada. Atrair empresa também passa pela logística. Qual empresa não procura ofertar seus produtos e serviços de modo mais rápido e mais barato que seus concorrentes? Não é mesmo? Para que isso aconteça, precisamos ter bons modais de transportes, uma vez que eles determinam o tempo de entrega e até mesmo o curso logístico. Nesse ponto confesso que estamos muito atrasados nesses estudos e inventários. Precisamos mergulhar de cabeça e conhecer de ponto a ponto nossos modais. Só para se ter uma ideia, os dois aeroportos que Bauru possui, nenhum deles conseguiria receber aeronaves de carga, porque suas pistas não possuem estrutura que suportaria o peso dessas aeronaves. Enfim, é um item que precisamos compreender e conhecer melhor, o que podemos ofertar em Bauru em termos de modais de transporte.

2° Eixo: Mercado e Imagem – Qual a vocação que Bauru, por exemplo, possui na indústria? Qual a nossa vocação no Trade Turístico? Qual a nossa vocação Gastronômica? Qual a nossa vocação no Esporte? Qual a nossa vocação em Inovação? Qual a nossa vocação no setor Acadêmico? Nossa vocação na Cultura? Tudo isso está ligado com os mercados e, por conseguinte na imagem de Bauru. Descodificar tudo isso, de forma inclusive a criar esses pontos vocacionais ou aqueles que são embrionários encorpá-los. Materializar de forma estratégica e de marketing esses pontos e assim poder realizar, de forma ativa e não mais passiva, a captação de empresas. Fazer Bauru chegar nos quatro cantos do Brasil, ativar de forma efetiva as empresas que estejam em expansão.

3° Eixo: Competitividade Industrial – Um ponto muito importante. Não adianta dizer que em 2, 4 ou 6 meses vamos sair atraindo várias empresas. Não vamos. Não temos condição hoje de concorrer com polos industriais privados e públicos que possuem uma infraestrutura completa. Por isso, digo que não vamos trazer grandes empresas com 500/1000 funcionários. Mas, temos condição de trazer outros tipos de empresa, de pequeno porte? Sim, temos condição para isso. Temos condição de trazer empresas que estão procurando um espaço físico para crescer, empresas que não dependem de um modal logístico complexo, empresas que não necessitam de uma flexibilização industrial em um raio, por exemplo, de 30 km, enfim, essas empresas dependem delas somente, essas empresas são mais fáceis de serem atraídas. Mas normalmente essas empresas não geram tantos postos de trabalho e seu faturamento não são tão expressivos capazes de impactar a receita do município. Elas não são bem-vindas a Bauru? Claro que sim! Precisamos de todas aqui. Mas a verdade é que não existe um impacto tão grande.

4° Eixo: Uma cidade vocacionada à Indústria – Não podemos esquecer que existe em Bauru empresas do setor industrial que não estão presentes dentro dos Distritos e que são grandes empresas. Essas empresas precisam também de uma atenção. Por outro lado, percebemos que Bauru não está limitada somente nos Distritos, mas existem empresas que possuem condições de operar em outros lugares da cidade, como é o caso dos Distritos Industriais Privados. Precisamos nos unir ao setor imobiliário de Bauru e preparar um projeto e ações que foquem nesse tipo de business.

5° Eixo: Representatividade Industrial – E aqui que começamos a mudar o panorama. Quando começarmos a trazer empresas/indústrias que realmente mudam e impactam o município e a região. Estamos falando aqui de empresas com capacidade instalada de mais de 500 trabalhadores, indústrias capazes de gerar trabalho e verdadeiramente um desenvolvimento econômico que flexibilizem outras empresas a se instalarem, que fortaleçam os modais logísticos. Essas empresas, não são atraídas de forma passiva, elas precisam ser identificadas, precisam ser conquistadas e aí elas começam a entender o potencial da cidade e da região e esse é um processo de meses para acontecer.

“Acreditamos que esses são os primeiros passos para que possamos fortalecer o setor industrial de Bauru. Concomitante a esses eixos, trabalhar a nossa legislação e outros setores, como por exemplo, o setor imobiliário e outras frentes e localizações estratégicas privadas na cidade, capazes de gerar o desenvolvimento”, finaliza o Secretário.