O Diabo Veste Prada: 15 anos de um filme que marcou os anos 2000

  • Luiz Rosa

Em 19 de junho de 2006, O Diabo Veste Prada, de David Frankel, estreava nos Estados Unidos. O filme, que esse ano completou 15 anos, pode não ser uma obra prima cinematográfica, mas trata-se de uma produção com uma ótima narrativa, excelentes performances, personagens bem desenvolvidos e um figurino marcante que resiste à implacabilidade do tempo.

O filme segue a protagonista, personagem de Anne Hathaway (Andrea, ou Andy), uma aspirante à jornalista recém-formada que apesar de não entender nada de moda consegue um emprego como assistente pessoal júnior de Miranda Priestly; editora-chefe de uma renomada revista de moda. Tal emprego que supostamente seria temporário, na esperança de conseguir algo melhor como repórter ou escritora em outro lugar, acaba se tornando algo maior para a personagem. Seguindo as formas mais tradicionais Hollywoodianas, o filme foca em sua protagonista - pelo menos acertadamente em Hathaway - com a extraordinária Meryl Streep evidentemente roubando todas as cenas em que aparece. 

Apesar de ser um filme sobre o mundo da moda não é dado ao figurino mesmo destaque como visto no recente Cruella (2021) -  certamente não com a mesma riqueza em detalhes e uma fotografia orientada para enaltecer tal figurino. Embora a direção não ajude o figurino a se destacar, o mesmo não deixa de se fazer presente e ser notável. O Diabo Veste Prada é uma referência ao estilo mesmo depois de seus 15 anos de lançamento. Podemos ver que o primeiro marco do filme é o cabelo branco de Miranda Priestly, escolhido pela atriz Merly Streep. O cabelo transmite a auto-confiança e o empoderamento da personagem e também é de fácil combinação para o figurino. Já sobre as roupas de Andrea (Andy), depois da transformação, são looks atemporais, modas ditadas até hoje. Um dos looks mais marcantes é o sobretudo verde, uma moda nova iorquina com características de saltos altos e muito couro;  boinas também são um destaque. O universo da moda em O Diabo Veste Prada é um pouco diferente do que vemos hoje, lá as tendências são expostas pelas grandes revistas e pela moda de alta-costura, chama-se trickle down effect, a moda que vem do topo, da elite à massa de consumo. Entretanto, hoje acontece um caminho inverso, muitas vezes as grandes marcas e revistas copiam da massa: o que faz sucesso na massa vai para a elite assim chamando trickle up, moda de rua que vira tendência.

Diabo Veste Prada em quesitos cinematográficos pode não configurar uma grande produção com uma fotografia memorável ou mesmo uma direção espetacular, mas trata-se de um filme inolvidável pelas performances cativantes das protagonistas, um roteiro simples e interessante, além de ser uma referência aos looks da moda até os dias atuais.

Gostaria de agradecer a colaboração da minha querida esposa Leticia que mais entende de moda e me ajudou a escrever sobre os figurinos. Espero que tenham apreciado a crítica e não deixem de nos contar nos comentários se gostaram do filme. Até a próxima pessoal!