"Meu Exército não vai obrigar o povo a ficar em casa", diz presidente ao descartar lockdown

  • Lucca Willians

Bolsonaro tem feito ataques às medidas restritivas a aos governadores

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (8) que não usará o que chamou de "meu Exército" para executar lockdowns ou outras medidas restritivas pelo país para frear o avanço da Covid-19.

"Vou só dar um recado aqui: alguns querem que eu decrete lockdown. Não vou decretar. E pode ter certeza de uma coisa: o meu Exército não vai para a rua para obrigar o povo a ficar em casa. O meu Exército, que é o Exército de vocês. Então, fiquem tranquilos no tocante a isso daí", disse Bolsonaro ao interagir com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro tem feito reiterados ataques a medidas restritivas e aos governadores, que, por sua vez, têm aumentado a pressão sobre o presidente diante da ineficiência do governo federal no combate à pandemia.

Religiosos

Aos apoiadores, Bolsonaro também ironizou manifesto de religiosos e intelectuais que assinam a "carta aberta à humanidade" denunciando ao mundo o que se passa no Brasil.

"O Brasil é uma câmara de gás a céu aberto. É preciso que grupos, instituições e entidades se manifestem pela vida, contra um genocídio que atinge nosso povo", disse o padre Júlio Lancellotti, 72, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, um dos que subscrevem o texto.

"Tem um grupo da elite brasileira, de esquerda, me denunciando na ONU, Tribunal Penal Internacional, como genocida, dizendo que o Brasil é uma câmara de gás. Um total desrespeito para com os judeus. Não sabem o que que é isso. Agora, eu pergunto: quem é que obrigou o pessoal a ficar em casa, destruiu milhões de empregos?", disse Bolsonaro.

Mãe

A mãe do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Olinda Bolsonaro, de 93 anos, recebeu na manhã desta segunda (8) a segunda dose da CoronaVac, em Eldorado, no interior de São Paulo. Olinda foi vacinada em casa por uma equipe de saúde do município. 

A CoronaVac foi desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligada ao governo João Doria (PSDB). Durante meses, Bolsonaro tratou a vacina com desconfiança e chegou a chamá-la de "vacina chinesa de Doria".

Nesta segunda-feira, o governador comemorou a vacinação da idosa. "Quero registrar minha alegria com a notícia de que Olinda Bolsonaro acaba de receber a segunda dose da vacina do Butantan, a Coronavac, em Eldorado. A senhora está salva com a vacina do Butantan. A senhora deu um exemplo de amor à vida."

Ao saber da declaração, Jair Bolsonaro reagiu: "deixem minha mãe em paz".