Feminicídio choca Bauru e aquece debate sobre direitos das mulheres

  • Jamile Diniz

Mais um caso de feminicídio em Bauru: no último sábado (12), uma jovem de 24 anos foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro. A operadora de telemarketing, Bruna Giovana da Silva, foi esfaqueada várias vezes enquanto caminhava com o filho em direção ao condomínio em que morava no Jardim Ouro Verde.

Bruna foi brutalmente golpeada por Luiz Antônio de Araújo, ex-namorado e pai da criança. A vítima chegou a ser socorrida pela equipe do SAMU, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Ela e Luiz Antônio, que fugiu após o crime, estavam separados há oito meses e tinham discordâncias a respeito da pensão alimentícia do filho, que vivia com a mãe.

Localizado no último domingo (13), em uma estrada de terra próxima ao distrito de Tibiriçá, Luiz confessou o crime e foi encaminhado à Cadeia Pública de Avaí. O homem afirmou ter sido motivado pela raiva e disse não ter a intenção de matar a vítima.

Feminicídio

O crime é mais um caso de feminicídio em Bauru – quando uma mulher é assassinada em razão de gênero e/ou violência doméstica. A vereadora eleita Estela Almagro conhecia Bruna pessoalmente e lamentou o ocorrido em sua página do Facebook. "Perdi uma amiga vítima de feminicídio, Bruna Giovana, que deixou um filhinho lindo a quem dedicava muito amor e cuidado".

Em entrevista à Jovem Pan News, Estela diz que o caso de Bruna Giovana é um dos exemplos de tantas vidas ceifadas em decorrência da misoginia e violência contra a mulher. Ela afirma que, embora a aprovação da Lei Federal 13.104/15 (Lei do Feminicídio) traga à tona a problemática e aumente o debate à cerca do tema, há ainda a necessidade de mudanças estruturais na cultura e educação.

"Os homens precisam entender que as mulheres têm o direito de dizer não e que quando um relacionamento termina, sobretudo quando há filhos, a necessidade da amizade e do bom convívio tem que imperar", pontua.

A vereadora também destaca a urgência de diálogo com esferas do Poder Público e a mobilização da sociedade civil. Para isso, está organizando uma mesa de diálogo com lideranças femininas que visa criar uma agenda social e pedagógica abrangente. "Encerrar dezembro com uma tragédia como essa é algo que não esperávamos, mas que nos alerta de que esse não foi o primeiro e não será o último caso enquanto a sociedade não disser chega. A mulher tem o direito de dizer não", completa.

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