CoronaVac é eficaz contra variantes inglesa e sul-africana do novo coronavírus

  • Lucca Willians

Testes feitos com as variantes inglesa e sul-africana do novo coronavírus já mostraram um bom desempenho das vacinas com vírus inativado

A vacina do Butantan apresenta melhor desempenho contra as novas cepas do coronavírus na comparação com as vacinas que se utilizam de uma única proteína como antígeno (a chamada proteína S). Testes feitos com as variantes inglesa e sul-africana do novo coronavírus já mostraram um bom desempenho das vacinas com vírus inativado (tecnologia da vacina do Butantan), e análises estão sendo feitas atualmente contra a cepa amazônica.

"Estamos testando com a variante amazônica. Já estamos fazendo inclusive com amostras de soro de pessoas vacinadas aqui no Brasil. Brevemente teremos esses resultados e acreditamos que, pela própria forma como a vacina é produzida, essa possibilidade de ter escape, de não ter a resposta, é bem menor", explicou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (8).

Na mesma entrevista, Dimas Covas e o governador de São Paulo, João Doria, falaram sobre as 20 milhões de doses adicionais que o governo paulista solicitou ao Butantan preventivamente – caso as 100 milhões de doses encomendadas pelo Ministério da Saúde não sejam suficientes para vacinar toda a população vulnerável no estado até o final do ano. "É uma medida acautelatória e preventiva. Havendo necessidade, usaremos essas 20 milhões de doses", afirmou Doria.

Para imunizar os grupos já definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) na primeira fase da vacinação, serão necessárias mais doses do que as 100 milhões encomendadas ao Butantan (46 milhões em produção e envio, e outras 54 milhões em fase de assinatura do contrato).

"Se nós tivermos essa vacinação até o meio do ano, estaremos cumprindo apenas a primeira etapa do PNI, 50 milhões de pessoas sendo vacinas. Existem outros grupos previstos no próprio PNI, por isso a necessidade de se chegar a pelo menos 150 ou 170 milhões de pessoas de um país como o Brasil, com 212 milhões de habitantes. Obviamente que as vacinas que estão planejadas não atenderão a totalidade, daí a providência que o governador solicitou de já iniciar a procura de doses adicionais", ressaltou Dimas. O diretor do Butantan lembrou também que está prevista a liberação de 200 milhões de doses da vacina da Oxford/AstraZeneca até o final do ano. "Se essas vacinas de fato chegarem, no final do ano nós teremos imunizado mais de 150 milhões de pessoas."

No último dia 5, um lote de 1,1 milhão de doses – o maior até então – foi encaminhado pelo Butantan ao Ministério da Saúde para distribuição em todo o Brasil. Desse total, 248 mil doses ficaram em São Paulo, obedecendo o princípio de proporcionalidade, e outras 852 mil doses foram encaminhadas ao Centro de Distribuição do Ministério da Saúde. Com isso, 9,8 milhões de doses já foram entregues ao governo federal dentro do PNI, o que indica que nove em cada dez vacinas contra Covid-19 aplicadas no Brasil são produzidas pelo Butantan.

Dia 10, uma nova remessa de 5,6 mil litros chegará da China. Para cumprir as 46 milhões de doses inicialmente encomendadas pelo Ministério da Saúde, ainda faltarão 12 mil litros de insumos, que serão enviados ao Brasil em dois movimentos: o primeiro de 8 mil litros e o segundo de 4 mil litros. Ambos aguardam autorização para exportação.