A encruzilhada do segundo turno em Bauru

  • Jamile Diniz

Foto: Ricardo Deccó

Durante o primeiro turno das Eleições Municipais, no dia 15 de novembro, um padrão pode ser observado no Brasil: a continuidade de governos que já estavam no poder. Em Bauru, na disputa para prefeito, este padrão não se repetiu. Mas o que fez com que a cidade sem limites seguisse na direção contrária da maior parte do país?

Continuidade

No Brasil, das 25 capitais que participaram das eleições para prefeito, 7 decidiram no primeiro turno quem ocuparia o principal cargo do Executivo na cidade. São elas: Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Campo Grande, Palmas, Natal e Salvador. Em todas, com exceção da capital baiana, os eleitores optaram pela reeleição. Ainda assim, em Salvador, o eleito foi o vice do atual prefeito. Em suma: todas votaram pela continuidade de governo.

Já em Bauru, o atual prefeito Clodoaldo Gazzetta, do PSDB, sequer chegou a ir para o segundo turno, recebendo menos de 9% dos votos válidos. O resultado, porém, não chocou os bauruenses, que foram enfáticos nas urnas ao deixar claro que desejavam mudança e não continuidade.

A aprovação do mandato de Gazzetta sofreu baques em 2020. Primeiro pelas medidas adotadas durante a pandemia de coronavírus, que dividiram as opiniões da população. Depois, pela séria crise hídrica que assola a cidade de Bauru no momento. Também vale mencionar o caso da liminar envolvendo a Liga das Escolas de Samba e Blocos de Bauru que bloqueou os bens do prefeito só 4 dias antes do primeiro turno.

Esses elementos, combinados à sensação do eleitor de que pouco havia sido colocado em prática durante todo o mandato, contribuíram para a alta rejeição recebida pelo candidato do PSDB no dia 15.

Tanto nas eleições de 2016 quanto nas de 2018, o Brasil foi varrido por um movimento que pregava a mudança a qualquer custo. A insatisfação com partidos que ocupavam o poder há anos potencializou a já crescente polarização nacional.

Neste cenário, cresceram nomes como o de Jair Bolsonaro e João Dória. Este último, o atual governador do Estado de São Paulo, chegou a se promover dizendo que não era político, mas sim um gestor.

Foto: Arquivo pessoal Rodrigo Agostinho

No Poder Executivo de Bauru, essa mudança não chegou a acontecer na mesma intensidade. Ainda que fosse de outro partido, o antecessor Rodrigo Agostinho apoiou Gazzetta nas eleições de 2016 e, em meio ao clamor popular por transformação, a mudança em Bauru teve cara de continuidade.

Em 2020, surge um nome ainda pouco conhecido no cenário político, mas que atende esse coro por renovação que há quatro anos toma forma: Suéllen Rosim.

Aos 32 anos e com uma oratória excelente, a candidata do Patriota já foi suplente de deputada estadual na Assembleia paulista em 2018, mas alcançou o reconhecimento do público sendo apresentadora e repórter da filial bauruense da TV TEM em 2014. Ela também tem uma carreira como cantora gospel ao lado de sua irmã Taynara, com quem gravou discos e alimenta um canal no YouTube.

Foto: Arquivo pessoal Suéllen Rosim

Apesar dos ares de quase estreante na política, Suéllen foi a candidata mais votada no primeiro turno, tendo 4.545 votos a mais que o segundo colocado, o candidato do DEM e já conhecido em Bauru Dr. Raul Gonçalves Paula.

No restante do país, após uma pandemia sem precedentes que deixa saldos negativos em quase todas as áreas, da saúde à economia, os eleitores optaram pela cautela. Ao contrário de 2016 e 2018, a experiência falou mais alto que a novidade, o que explica o alto número de reeleições.

Agora, resta descobrir o que vai pesar mais para o eleitor bauruense: a novidade almejada há tantos anos ou a cautela na qual o resto do Brasil tem se apoiado até agora.