DEIC conclui investigação de feminicídio brutal em Bauru

  • Jamile Diniz

(Foto: Jamile Diniz)

Nesta terça-feira (24), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Bauru concluiu um caso de feminicídio após três meses de investigações. A vítima havia sido assassinada e parcialmente carbonizada em agosto. Os responsáveis eram seu amante e a esposa dele, que devem ser indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil e tentativa de ocultação de cadáver.

O crime

Em três de agosto deste ano, o corpo de uma mulher foi encontrado parcialmente carbonizado em uma mata de eucaliptos numa vicinal do bairro Nova Bauru. Junto ao cadáver, que não carregava documentos, havia também um celular danificado pelo qual a Polícia Civil descobriu a identidade da vítima, uma manicure de 48 anos, chamada Gilmaria Moreira Santana.

Gilmaria vivia na casa dos fundos em um imóvel na Pousada da Esperança. Ela mantinha um caso extraconjugal em segredo com o proprietário da edícula, um pedreiro de 51 anos identificado pelas iniciais A.S. A vítima desejava que ele se divorciasse da esposa e ameaçava contar sobre o relacionamento mantido entre os dois. Como o pedreiro se recusou a fazê-lo, ela revelou o caso.

A partir daí, A.S. e a companheira, uma dona de casa de 37 anos, começaram a planejar o assassinato da manicure.

Na madrugada do crime, o casal atraiu a vítima para um local afastado após consumirem bebida alcóolica. Quando a vítima chegou ao local, A.S. agrediu e golpeou Gilmaria na cabeça por diversas vezes com uma chave de roda. Depois, o casal ateou fogo ao corpo usando um galão de gasolina.

Entretanto, com medo de serem vistos, não conseguiram queimar todo o cadáver.

Investigação

Logo após o homicídio, A.S. e a esposa, que tem como iniciais as letras J. F., fugiram para Nova Veneza, no interior de Goiás, onde ficaram até serem presos na última segunda-feira (23). Os dois confessaram o crime e não resistiram à prisão.

Em coletiva de imprensa, Rogério Dantas Monteiro, delegado do DEIC, reforçou o intenso trabalho de investigação necessário para chegar até os criminosos. A operação durou cerca de três meses, envolveu ao todo 10 policiais e contou com a participação da Polícia Civil de Goiás, que ajudou na coleta de informações e na prisão dos assassinos.

A.S. já tinha antecedentes criminais por violência doméstica. Havia, inclusive, uma medida protetiva contra ele em nome da esposa.

Pena

Transferido de volta a Bauru, o casal deve responder por homicídio qualificado por motivo fútil e tentativa de ocultação de cadáver. Ele cumpre prisão temporária na Cadeia Pública de Avaí e ela na Penitenciária Feminina de Pirajuí. As penas podem chegar até 30 anos.

A investigação foi concluída no Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. A.S. tinha antecedentes criminais por violência doméstica. Havia, inclusive, uma medida protetiva contra ele em nome da esposa.