Dica: Malcolm & Marie (2021)

  • Luiz Rosa

Nos últimos anos tivemos uma série de filmes em preto e branco, reconhecidos pelas premiações, críticas e audiência. Frances Ha (2013), O Artista (2011), até mesmo o recente Mank (2020). Até aqueles que não são tão reconhecidos, como Frankenweenie (2012), Sin City (2005) e sua sequência, A Dame to Kill For (2014), aderiram à estética noir dos filmes de outrora. Tentando evitar aqui um debate sobre o fetiche pelo filme antigo, ou até mesmo da película de cinema – pois isso simplesmente não me interessa no momento –, nenhum dos citados acima conseguiu capturar minha atenção como o recente lançamento da Netflix: Malcolm & Marie (2021), de Sam Levinson.

Levinson coloca nas telas de cinema a fragilidade das relações, dos afetos, dos egos, expondo as dores e frustrações vividas entre o cineasta Malcolm (John David Washington) e a atriz Marie (Zendaya). Em um jogo verborrágico de cenas, em monólogos e discussões – que envolvem tanto as altercações do casal quanto discussões sobre o próprio cinema –, os personagens movem-se pelo espaço cênico – a casa –, do interior ao exterior, do banheiro ao quintal.

Interpretado com maestria pelos atores e dirigido com a enorme sensibilidade estética do diretor, os personagens são levados à flor da pele. Entre os exageros e a revolta do personagem de Washington e as sutilezas expressas por ambos, há de se destacar a protagonista. Zendaya afirma-se como uma forte atriz com grande alcance de interpretação.

Malcolm & Marie estreia na Netflix não apenas como um grande filme, mas como um produto midiático relevante, em que atores negros deixam de ocupar os papéis de de coadjuvantes para assumir o protagonismo da trama, com espaço e visibilidade. 

Espero que tenham gostado de mais uma crítica e prometo que na próxima eu trago um filme colorido. Não se esqueçam de deixar nos comentários o que acharam do filme e caso tenham algum outro que gostariam de ver aqui na coluna, é só mandar pra gente. Até a próxima pessoal.