"É a maior oportunidade de evolução na minha carreira", afirma Pamela Sanabio sobre Sesi Vôlei Bauru

  • Luiz Lanzoni

Destaque da base do Fluminense nos últimos quatro anos, a oposta Pamela Sanabio é uma das novidades do Sesi Vôlei Bauru para a próxima temporada, e deverá ser anunciada oficialmente nas próximas horas. A jovem atacante dividirá a função na saída de rede bauruense com a azeri Polina Rahimova. 

Pamela revela que praticar vôlei não era sua prioridade quando criança: "Fiz karatê, ginástica olímpica, mas vôlei, nunca tinha passado pela minha cabeça", contou a atleta.

Filha de pais brasileiros, Pamela nasceu no Chile, pois seu pai estava atuando profissionalmente por lá, mas aos dez anos de idade, após várias mudanças, sua família se mudou para Fortaleza e foi lá onde ela começou a trilhar seu caminho no voleibol.

Antes de atuar pelo Fluminense, a jogadora tinha o sonho de estudar nos Estados Unidos e atuar na liga universitária norte americana. Porém, com a oportunidade no profissional no tricolor das laranjeiras, Pamela reviu seus desejos, e optou por consolidar sua carreira no Brasil.

Por ser uma jogadora ofensiva e explosiva, a oposta ganhou o apelido de "Panzer", em alusão ao tanque de guerra alemão utilizado na Segunda Guerra Mundial. Atuando ao lado de Tiffany, Polina Rahimova e sendo treinada por Anderson Rodrigues, ela sabe que o time terá uma característica ofensiva, assim como é o seu voleibol. "Tenho tudo para aproveitar, absorver tudo que me passarem, e evoluir como jogadora", disse a jogadora.

Em entrevista ao Blog, Pamela contou um pouco sobre a sua história, a passagem pelo vôlei de praia e a expectativa de atuar na equipe do Sesi Vôlei Bauru.

Blog do Lanzoni: Quem é a Pamela? Onde você nasceu e por que veio parar no Brasil?

Pamela Sanabio: Eu nasci em Santiago, no Chile. Meu pai, na época, jogava profissionalmente num clube chileno, e por conta disso eu acabei nascendo lá. Por conta dessa condição do meu pai, acabei morando em vários lugares do mundo até os meus dez anos de idade, quando começou a complicar muito as mudanças escolares. Aí voltamos ao Brasil e passamos a morar em Fortaleza, de onde era a família do meu pai. 

Atacante Junior, destaque da campanha do Vitória no vice-campeonato da Copa do Brasil, é o pai de Pamela.

Atacante Junior, destaque da campanha do Vitória no vice-campeonato da Copa do Brasil em 2010, é o pai de Pamela.

BL: E o voleibol, como surgiu na sua vida?

PS: Eu nunca tive aquela vontade quando criança de ir jogar vôlei, fazer escolinha. Eu sempre tive preferência pelo futebol e outros esportes. Fiz karatê, ginástica olímpica, mas vôlei, nunca tinha passado pela minha cabeça. Só que com os meus 13, 14 anos, eu tive um estirão, e cresci muito em um curto espaço de tempo, e num dia que eu fui buscar minha irmã na escola, acabei chamando a atenção pela altura, e me chamaram pra jogar vôlei, e eu adorei. Desde então, é o que mais amo fazer.

BL: E quando os treinos recreativos se tornaram sérios?

PS: Eu comecei tarde, e confesso que não passava pela minha cabeça virar jogadora de fato. Eu praticava como um passatempo. Só que aí com 15 anos eu fui convocada para compor a seleção cearense no campeonato brasileiro, e aí eu me encantei. Achei um máximo, eu nunca tinha nem viajado sozinha, então aquela experiência me encantou. Naquele momento eu coloquei na minha mente que eu iria virar atleta, e a minha ideia inicial era jogar no College dos Estados Unidos, e fazer uma graduação em pararelo ao vôlei. 

BL: Foi aí que apareceu o convite do Fluminense?

PS: Foi um pouco antes. Lá em Fortaleza, não tem tanta estrutura de quadra. Por conta da falta de clubes, quem pratica quadra, com os seus 16, 17 anos, acaba migrando para o vôlei de praia. Foi então quando o meu técnico na época, conversou com o Guilherme, que trabalhava no Fluminense e já havia me observado num campeonato brasileiro. Isso aconteceu junto com a minha mudança para o Rio de Janeiro, onde eu iria morar com a minha mãe. Fui para o Fluminense em 2016, acabei me destacando, e subi para atuar também no adulto em 2017. Mas a minha ideia inicial era só terminar o juvenil e a escola, e me mudar para os Estados Unidos para fazer faculdade. 

BL: Foi então com a chance no adulto que tu começou a pensar em ter de fato uma carreira aqui no Brasil e não no College nos Estados Unidos?

PS: Foi. Eu tinha algumas dúvidas. Minha vontade era ter ido para os EUA, até por ter várias amigas fazendo o mesmo. Mas aí teve um jogo pela Superliga, que a segunda oposta acabou machucando, e eu ganhei uma chance - o jogo era contra Osasco - e eu fiz 12 pontos. Aquela partida me fez decidir ficar no Brasil.

BL: Mas, apesar de não ter acontecido de você ir pros Estados Unidos, você não abandonou os estudos, certo?

PS: Sim, eu estou cursando a faculdade de publicidade e propaganda. 

BL:Como você se definiria em quadra?

PS: Uma oposta de muita força. Não tenho dúvidas de que a explosão é a minha principal característica.

BL: Foi por conta dessa característica que você ganhou o apelido de "Panzer", em alusão ao tanque alemão da II Guerra?

PS: Sim, eu adoro este apelido.

BL: Você está chegando em uma equipe que tem no seu DNA esta característica ofensiva/explosiva. Vai trabalhar com a Polina e com a Tifanny, que figuram entre as principais atacantes do país, e será treinada pelo Anderson, oposto que fez história com a camisa da seleção brasileira. Como você enxerga essa situação?

PS: Uma oportunidade imensa. Tenho tudo para aproveitar, absorver tudo que me passarem, e evoluir como jogadora. Ter como espelho diário a Polina, a Tiffany, junto com todas as observações do Anderson, é sem dúvida, a maior oportunidade de evolução na minha carreira.

BL: Em determinado período, você acabou conciliando a sua atuação no Fluminense com campeonatos de vôlei de praia. O que este momento contribuiu para o seu jogo?

PS: Então, já no meu penúltimo ano em Fortaleza, eu comecei a praticar o vôlei de praia duas vezes por semana. Com a minha mudança pro Rio, eu aproveitei que no Fluminense tinha um técnico que também treinava o vôlei de praia, e comecei a treinar todos os dias. Joguei os campeonatos cariocas, e por muito pouco não cheguei a disputar o circuito nacional. Mas apesar de não ter prosseguido nos campeonatos, eu não tenho dúvida que esta experiência agregou muito no meu jogo. Fisicamente, eu ganhei muita resistência, fiquei com a perna mais forte. E tecnicamente, eu desenvolvi um arsenal maior de golpes.

Pamela atuando no voleibol de praia.

Pamela atuando no voleibol de praia.

BL: Aqui em Bauru, você jogará ao lado da Mari Casemiro, que na última temporada atuou com você no Fluminense.

PS: Isso foi algo maravilhoso pra mim. A Mari é uma jogadora que tem uma experiência grande, vai ser o meu porto seguro. Até pela intimidade que já temos, tenho certeza que qualquer coisa que precisar, ela será uma pessoa que eu vou poder contar. Assim que eu acertei com Bauru, ela me mandou mensagem, já se colocando à disposição para me ajudar. Ter ela junto comigo foi um presentaço, pois eu estou saindo de casa pela primeira vez, e ter ela ao meu lado, é algo que me trás muita segurança.