Segundo auxiliar do Sesi Vôlei Bauru, gestão do trabalho é grande trunfo do voleibol mineiro

  • Luiz Lanzoni

Foto: Priscila Nobrega/ Sesi Vôlei Bauru

O auxiliar técnico do Sesi Vôlei Bauru, Plauto Machado, participou da série de lives que o perfil @jovempansportsbauru está realizando todos os dias no Instagram. No bate-papo, o profissional que está em solo bauruense há duas temporadas, falou sobre o início da sua carreira, a chegada a Bauru e os desafios das duas últimas temporadas.

Fator Viçosa

Natural de Ouro Branco, cidade do interior de Minas Gerais, Plauto desde cedo teve incentivo dos pais para a prática esportiva. Mas foi na graduação do curso de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa que ele iniciou seus passos no voleibol - “Viçosa, pra quem não conhece, tem uma liga universitária, a LUVE (Liga Universitária Viçosense de Esportes), e lá comecei como um atleta, e graças a um grande amigo, o Henrique Furtado, que hoje está a frente do projeto do América Vôlei, iniciei trabalhos na comissão técnica da equipe. Durante toda a minha graduação, eu estive envolvido com os times de vôlei da Luve, e acabei recebendo o convite para atuar como treinador nas categorias de base do Cruzeiro, e aí iniciei a minha caminhada no voleibol profissional”, comenta Plauto.

A passagem pelo Minas

Trabalhando na base da equipe celeste, Plauto teve o primeiro contato com trabalhos diários de uma equipe adulta, no caso o Sada/Cruzeiro. Mas foi no Minas Tênis Clube que surgiu a oportunidade de integrar a comissão técnica de uma equipe adulta - “Eu realizei um trabalho na seleção mineira, e surgiu uma vaga no Minas. Depois de uma conversa com o Marco Antônio Queiroga, eu acabei acertando a minha ida pra lá, como analista de desempenho. Fiquei 4 temporadas (Além de Queiroga, Plauto trabalhou nas comissões técnicas capitaneadas por Paulo Coco e Stefano Lavarini), e foi no Minas onde tive o primeiro contato com o Anderson, quando ele era auxiliar técnico. Foi um momento muito bacana, eu peguei justamente a fase em que a Keyla Monadjemi assumiu no clube o departamento de vôlei, e com isso houve a retomada de altos investimentos na modalidade, em um primeiro momento com a Camponesa, e num segundo que se estende até hoje com a Itambé”, relembra o auxiliar técnico do Sesi Vôlei Bauru.

Análise da Voleibol de Base no Brasil

Um dos pontos da entrevista que mais chamou a atenção, foi a análise sobre a base do voleibol brasileiro. Segundo Plauto, o imediatismo por resultado está minando a descoberta e revelação de atletas - “Quando se fala de base é sempre um assunto muito complexo. Hoje, nós vemos a maioria dos treinadores dando uma importância muito grande pra base na formação de uma equipe, algo que durante algum tempo, se perdeu no Brasil. Não vamos muito longe, e víamos a base tendo importância apenas para se ganhar torneios. A análise não pode estar atrelada a resultados. Um outro fator que precisamos colocar na discussão, é que fazer um projeto de base não é barato. Para se fazer um projeto que tenha frutos, você precisa fazer altos investimentos - precisa investir em alimentação para estas atletas, em moradia, educação, e isto não é barato. Muitas vezes, você ter uma categoria de base, saí mais caro do que manter uma equipe profissional, e o investidor, que muitas vezes quer o resultado no curto espaço de tempo, acaba limitando ou nem investindo na base. É um preço muito alto, que nem todo mundo quer pagar - mas que todos sabem da sua importância”, analisa Plauto.

Jeito Mineiro

Outro ponto que chamou atenção, foi a análise sobre o atual momento do voleibol mineiro - que viu por várias temporadas o Sada/Cruzeiro reinando absoluto na Superliga masculina, e que vê no feminino os dois últimos campeões - “Eu, por ser mineiro, sou suspeito pra falar, mas há uma diferença bem clara na gestão do trabalho no voleibol mineiro. Você tem um investimento muito forte no Praia, Minas e Sada, mas você tem um trabalho muito forte acontecendo por parte da federação, na figura do Tomás Mendes. Há um esforço muito grande em “fazer” o voleibol. Muitas vezes já vimos o presidente da federação saindo de Uberlândia, indo para BH, e logo depois indo pra Lavras pois lá estava acontecendo um torneio sub-14, e ele fazia questão de estar presente. Há um esforço muito grande pra fazer com que o esporte aconteça em todas as esferas”, pontua Plauto.  

A conquista do Paulista invicto em 2018

A chegada de Plauto a Bauru, acontece no momento em que a Associação Vôlei Bauru funde seu projeto com o Sesi SP, fato que mudou o patamar de investimento e expectativa em torno do projeto. E a primeira conquista veio com o título estadual, de maneira invicta, logo na primeira temporada - “Foi um ótimo início. Nossa conversa diária entre os membros da comissão técnica deixava claro que era importante alcançar este resultado no paulista, pois era a primeira grande chance para “mostrarmos trabalho”, naquele momento nós precisávamos mostrar que éramos capaz de conduzir a equipe ao resultado que todos esperavam.”

Conceito ofensivo

Uma característica dos elencos montados pelo Sesi Vôlei Bauru, desde a chegada do técnico Anderson Rodrigues, é a força ofensiva como principal força do time. Plauto também comentou sobre este conceito - “Muitos, quando analisam nosso time, logo comentam que falta passe. As pessoas precisam entender que primeiro, o mercado é muito complicado, e esta é uma das características mais complicada de se achar, se não a maior. E um outro ponto que é preciso ter bem claro, é que o ataque é uma premissa fundamental na nossa montagem. Este é um conceito que nós vemos já bem assimilado em ligas europeias, onde você um nível de ataque muito alto, dificilmente você uma largada, as jogadoras estão atacando lá em cima, dando porrada mesmo. É claro que buscamos ajustar,  ter um equilíbrio,mas não podemos negar este nosso DNA.”, afirmou.