Justiça determina sequestro de R$ 54 milhões em bens de Gasparini e ex-diretor da Cohab

  • Welinton Barros

O pedido de bloqueio de bens foi feito pelo Gaeco - Foto: Welinton Barros | Jovem Pan News Bauru

O Ministério Público, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) solicitou à Justiça o sequestro de bens contra o ex-presidente da Cohab Edison Bastos Gasparini Júnior, sua esposa Izabel Cristina Gonçalves Dias, sua filha Mariana Gonçalves Dias Gasparini e contra o ex-diretor financeiro da companhia, Paulo Sérgio Gobbi. O pedido foi deferido pela 4ª Vara Criminal de Bauru, que determinou o bloqueio de R$ 54,8 milhões em bens.

Além disso, por conta da existência de inúmeros imóveis, muitos deles alugados, e do exercício de atividade pecuária, foi solicitada também a nomeação de um Administrador Judicial, para que os requeridos sejam desapossados desses bens e não prossigam usufruindo dos mesmos.

Segundo nota emitida pelo Gaeco, a esposa e a filha de Gasparini foram inseridas no bloqueio de bens por existir "elementos que indicam a possibilidade de envolvimento, em tese, com atividades voltadas à dissimulação e ocultação do dinheiro ilícito", diz o texto.

O Gaeco afirma ainda que a investigação prossegue para a apuração, seja de outros possíveis envolvidos no esquema de desvio, seja na dissimulação ou ocultação dos valores desviados.

O caso Cohab
O valor do bloqueio é referente aos possíveis desvios ocorridos na companhia que estão sendo investigados pelos promotores do Gaeco desde 2018. A investigação inclusive é responsável pela "Operação João de Barro", deflagrada em 17 de dezembro do ano passado.

Na ocasião, a polícia apreendeu celulares, computadores, documentos e mais de R$ 1,6 milhão em espécie na casa de Gasparini. A ação foi desencadeada para investigar suposto desvio de dinheiro público envolvendo a companhia e ao menos quatro construtoras.

À época, os promotores apontaram que Gasparini Júnior, a mulher dele e a filha do casal adquiriram, no período entre 2008 e 2018, 15 imóveis avaliados em mais de R$ 5 milhões, além de oito veículos, no valor total de R$ 377 mil.

As viagens internacionais feitas pela família também foram citadas pelos promotores. Segundo o Gaeco foram mais de 40 idas ao exterior durante o período, uma média de seis viagens internacionais por ano.


A investigação
Durante a investigação o Ministério Público apurou que o prejuízo acumulado na empresa cresceu 258% em sete anos, saltando de R$ 70 milhões em 2011, para R$ 252 milhões em 2018. Foi nesse mesmo período que o patrimônio do ex-presidente da companhia cresceu de forma incompatível com o salário de R$ 10 mil que ele recebia.

Nas oitivas feitas pelos promotores em janeiro, funcionários da Cohab afirmaram que fizeram saques mensais de cerca de R$ 400 mil em nome da companhia durante um período de 12 anos (entre 2007 e 2019). Os saques eram feitos direto no caixa, em dinheiro e sem a apresentação de notas.

Segundo o Gaeco, o montante deveria ser utilizado para o pagamento de dívida referente ao seguro habitacional de unidades construídas pela companhia, mas os valores deixaram de ser pagos entre 1998 e 2010.