Abuso de açúcar na primeira infância expõe a criança a perigos que podem se estender pela vida toda

  • Lucca Willians

Os primeiros anos de vida são um período crítico para o desenvolvimento de preferências por alimentos e sabores, para a capacidade de autocontrole na ingestão de alimentos, para a transmissão de crenças culturais e familiares sobre alimentos e alimentação, e para a suscetibilidade a sobrepeso e obesidade mais tarde. O sobrepeso nos primeiros meses de vida tende a aumentar o risco de obesidade na média infância, e esse risco parece aumentar com a idade. Aos 4 ou 5 anos, a obesidade é preocupante porque tende a persistir. Segundo o último relatório sobre segurança alimentar divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na América Latina e no Caribe, o sobrepeso entre as crianças com menos de cinco anos chega a 7,5%. No mundo, a taxa é de 6%. No Brasil, 7,3%.

Para crianças com sobrepeso, preconceito e discriminação fazem parte da vida cotidiana. Além disso, as consequências de atitudes induzidas pelo preconceito, como isolamento ou retraimento social, podem contribuir para a exacerbação da obesidade, por meio de vulnerabilidades psicológicas que aumentam a probabilidade de sedentarismo e comer doces (açúcar) em excesso.

O açúcar como vilão

Muitos especialistas em nutrição e endocrinologia enfatizam que o açúcar vicia tanto quanto cocaína. Além de não ter nutrientes, o açúcar pode desenvolver um vício, pois ele ativa vias de sinalização no hipotálamo relacionadas ao centro do prazer e ao sistema de recompensas, por isso é viciante e pode estar relacionado a comportamentos compulsivos. As guloseimas, geralmente ricas em açúcar, contêm componentes que estimulam o cérebro a produzir a serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade, bom humor e bem-estar.

Visto como importante fonte de energia para o corpo, além de adicionar a alguns alimentos aquele sabor agradável, o açúcar também é considerado vilão, por ser responsável por muitos problemas de saúde. Sociedades médicas e ligadas à saúde alertam sobre o consumo da iguaria. Trata-se de um carboidrato presente em frutas e vegetais e, mesmo quem não costuma comer doces, pode encontrar no açúcar uma fonte de bem estar em casos de tensão, ansiedade ou estresse.

O alimento, ao ser ingerido, é absorvido no intestino, passa pelo fígado e segue para a corrente sanguínea. O que for aproveitado pelo organismo será transformado em energia e o que não for utilizado, em gordura. O consumo excessivo de alimentos, entre eles os ricos em açúcar, sem um gasto adequado de calorias, faz com que a criança estoque essas calorias excedentes em forma de gordura corporal, que, por sua vez, em exagero, pode gerar problemas em vários órgãos.

O açúcar, de uma maneira técnica, quer dizer carboidrato e não apenas o refinado que conhecemos. Os carboidratos são a base da alimentação da maioria das pessoas, porque proveem energia para as diversas tarefas do dia a dia. O açúcar simples, a sacarose, é uma forma de carboidrato absorvida rapidamente na corrente sanguínea, sendo muito interessante em momentos em que se precisa de uma carga aguda de glicose, como, por exemplo, em situação de hipoglicemia (baixa de glicose no sangue) ou durante uma atividade física intensa.

O açúcar simples deve ser visto como fonte de prazer, e não como nutriente. O açúcar refinado é uma caloria vazia, não apresenta nenhum valor nutricional. Açúcar é prazer e deve ser visto dessa maneira, e consumido com o máximo de moderação possível, porque seu excesso não faz bem à saúde.

Ao mesmo tempo é importante enfatizar que a baixa concentração de açúcar no organismo produz sintomas como irritabilidade, variação de humor e aumento na fome, especialmente fome de doces, numa tentativa de o corpo conseguir mais carboidratos, que aumentem a síntese de serotonina. O prazer que sentimos com alimentos de sabor adocicado é inato. A predileção por doces ajudou nossos ancestrais a distinguirem entre os alimentos seguros e os que dariam mais energia daqueles potencialmente tóxicos ou inadequados para o consumo.

Retraimento Social

O retraimento social na infância refere-se a manifestações comportamentais que têm, como elemento comum, um nível excessivo de controle psicológico e comportamental como inibição, timidez e isolamento social.

Essas manifestações são um aspecto desafiador para pais e psicólogos quando o assunto é o desenvolvimento infantil, em função de suas consequências para o bem-estar psicológico e a adaptação psicossocial da criança. Os pais possuem papel fundamental quando o tema é abordado, porque os mesmos possuem a expectativa de que seus filhos sejam socialmente assertivos e habilidosos, aceitos por seus colegas de classe, professores e amigos.

Desta forma, o processo de desenvolvimento social e emocional da criança para criar laços de amizade, iniciar e manter essas conexões compartilhando ideias e sentimentos, e consequentemente sentir-se aceita, traz imensos benefícios e promove seu bem estar psicológico.

Nesse sentido, os amigos são significativos na vida da criança, influenciando, de vários modos, seu desenvolvimento. Esses pares preenchem necessidades importantes da criança como dar suporte, validação pessoal, segurança emocional, intimidade, afeição, ajuda e assistência, criar alianças, fazer companhia, recreação e estimular a criatividade.